Entrevista: Grupo de Teatro e Dança Expressão em Movimento PDF Imprimir E-mail
Educação - Arte-educação
Escrito por Adriana Napoli   
Entrevista com a coordenadora pedagógica Rosaly Biagioni Centofante Guimarães da Associação de Teatro e Dança Expressão em Movimento, concedida à atriz e arte-educadora Adriana Napoli.


Portal Cultua Infância - PCI: Como funciona a Associação?

Associação Expressão em Movimento - AEM: O Grupo de Teatro e Dança Expressão em Movimento foi criado em 1996 em Campos do Jordão. É uma associação sem fins lucrativos, e suas metas, atividades e plano financeiro foram examinados pelo Ministério da Cultura no projeto “Arte na Montanha” obtendo aprovação para aprovação da Lei de incentivo à Cultura denominada Mecenato, conforme publicação no Diário Oficial da União.
         Com o ideal de preservar, dignificar e promover conhecimento e a prática das artes em todas as suas formas, já realizaram muitos espetáculos e participações em festivais, tendo obtido ótima receptividade da população.
        Os recursos do grupo provém da contribuição dos alunos, havendo bolsas para os menos privilegiados economicamente. Atualmente 25% dos alunos usufruem do auxílio bolsa integral e 8% do sistema meia bolsa. Estas contribuições são para pagar despesas de manutenção e de pessoal.
        Atualmente contamos com professores especializados, preparados para ministrar aulas de ballet clássico, jazz, sapateado, dança contemporânea e teatro. Todos os professores são formados e estão em constante aprimoramento através da participação de festivais nacionais, workshops e atividades relacionadas. Nestes quase 14 anos de funcionamento, o grupo marcou sua presença na cidade sendo pioneiro e incentivando a criação de novos grupos.

PCI: Como surgiu a Associação de Teatro e Dança Expressão em Movimento?

AEM: A Associação foi fundada em 1996, por um grupo de alunas do nível médio da Escola Estadual Theodoro Corrêa Cintra, sob liderança da então aluna Flávia Centofante Guimarães, com objetivo de criar condições para que crianças e jovens pudessem se desenvolver na dança independente de suas condições financeiras. Os fundadores da Associação foram: Flávia Centofante Guimarães, Ana Paula Januzzi da Silva, Rosaly Biagioni Centofante Guimarães, Fernando Centofante Guimarães, Fabiana Januzzi da Silva, Suzana Aparecida dos Reis, Odiméia Marta Guimarães, Dr. José Cláudio Centofante. A Associação está na 6ª. diretoria eleita e tem estimulado a participação de pais, alunos maiores e professores, pois acredita que a integração de esforços no trabalho coletivo facilita e agiliza o alcance de objetivos.
A integração do grupo de teatro Expressão em Cena mais recentemente foi um desafio para a Associação, pois é um grupo composto na sua maioria de adolescentes sem condições de contribuir para as despesas com monitores e o custo fixo de manutenção do curso. Mas acredita-se que um esforço extra para a implementação desta atividade cultural trará benefícios às crianças e adolescentes, bem como à população que certamente vai desenvolver o gosto pelo teatro como tem desenvolvido pela dança.
A Associação foi considerada de Utilidade Pública Municipal pela Lei no.2.658/01, proposta pelo vereador Dr. José Cláudio Centofante, e aprovada na Câmara em 27/11/2001.
 
PCI: O que a associação pretende oferecendo cursos de arte (dança e teatro) para crianças?

AEM: A nossa expectativa em relação à aprendizagem dos alunos é que eles adquiram valores culturais e de socialização, fazendo com que eles entendam que a dança e o teatro trazem agregadas diferentes culturas e tradições mundiais; estilos de épocas, bem como suas marcas sócio-econômicas, e, através das diferenças que podem ser compreendidas pelos valores culturais adquiridos, estimular o bom convívio.
Do ponto de vista das atitudes, a responsabilidade, a disciplina e a determinação são fundamentais. O bom aprendizado de qualquer modalidade artística exige a responsabilidade quanto à assiduidade, organização, participação e obediência aos horários e aos compromissos assumidos. O método sistematizado ensina que, só com disciplina se atingem objetivos e que a determinação gera resultados.
Quanto aos saberes, esperamos a identificação da arte como fato histórico nas diversas culturas; compreensão do resultado do trabalho do artista e identificação com o processo percorrido pelo mesmo; busca e organização de informações sobre arte, nas várias fontes de pesquisa, reconhecendo e compreendendo a variedade dos produtos artísticos e concepções estéticas.   
Quanto às habilidades, é fundamental para a expressão do aspecto artístico de cada indivíduo, o desenvolvimento da expressão e da comunicação individual e coletiva; a utilização de instrumentos e materiais específicos de cada área, a coordenação motora, a expressão corporal e a interpretação musical.
Iniciamos o trabalho com 25 crianças e adolescentes interessados em aprender a dançar e hoje temos 131 alunos (42 pagantes e 89 bolsistas). Aumentamos o número de bolsistas este ano por decisão dos professores que preferiram ter mais alunos nas turmas, mesmo sem receber remuneração pelo trabalho que desenvolvem, porque nos anos anteriores fomos obrigados a reduzir o número de bolsistas  devido a dificuldades financeiras. Acreditam assim estar contribuindo na  educação destes alunos criando condições que favoreçam o desenvolvimento de crianças e adolescentes  de nossa cidade que são expostos diariamente à estímulos nem sempre positivos para uma formação sadia.

PCI: Para a associação, qual é a importância do fazer artístico na formação de uma criança?

AEM: A arte tem um papel fundamental na formação de crianças e adolescentes e na manutenção do equilíbrio dos aspectos físico, mental, social e espiritual dos adultos. Ela propicia o desenvolvimento da sensibilidade, a aquisição de conhecimentos, a vivência em grupo, a cooperação, o respeito às diferenças permitindo uma convivência sadia, de forma agradável  e uma nova maneira de ver o mundo, as pessoas, os fatos. Enfim, uma oportunidade de “escapar” do senso comum, dos preconceitos que hoje nos impedem o exercício da liberdade na tomada de decisões num mundo que está refém de comportamentos estereotipados e determinados por modelos nem sempre corretos para a natureza humana. A criança dentro dos limites do desenvolvimento de sua idade vai exercitando os comportamentos desejáveis de forma lúdica tendo como modelo os colegas mais adiantados que já apresentam um desempenho mais elaborado na dança ou teatro.

PCI: A partir de qual idade a criança pode fazer os cursos oferecidos pela associação?

AEM: Para o baby no ballet recebemos crianças desde os 3 anos, utilizando uma metodologia adequada; para o jazz e sapateado crianças  desde os 10 anos e no teatro crianças de 12 anos, claro havendo exceções que são consideradas conforme a maturidade dos alunos que  apresentam  interesse em freqüentar a escola.

PCI: Inicialmente a escola só oferecia cursos de dança, o teatro foi implantado recentemente. Como vocês perceberam essa necessidade de ampliar as linguagens artísticas?

AEM: A Associação começou com a dança, embora tenha se originado de um grupo de teatro que já existia na cidade desde 1992, comprovamos isso pelo nome: Associação de Teatro e Dança Expressão em Movimento. Desde essa época o diretor desse grupo de teatro, Professor Claudinei solicitou que a Flávia, na época aluna do Colégio Estadual em Campos, introduzisse coreografias na peça que estavam ensaiando. Com o passar dos anos o grupo de teatro tomou outros caminhos e a Associação foi criada legalmente, mas dedicando-se somente à dança. No entanto ocorreu a necessidade inversa, trabalhar a expressão cênica nas coreografias, seja nos balés de repertório, nas histórias infantis coreografadas que desenvolvemos nas Mostras de final de ano, na montagem dos cenários, na “costura” dos espetáculos que sempre têm um tema. Houve também uma demanda de pais e adolescentes que preferiam o  teatro à dança. Atualmente, estamos com um grupo de crianças e adolescentes que participam inclusive de festivais de teatro em outras cidades.

PCI: No curso de Balé clássico, há preocupação com a aplicação da técnica no corpo da criança que ainda está em desenvolvimento?

AEM: A escola recebe crianças desde os três anos para as aulas de balé no nível baby, mas não é considerado como ano curricular, pois nesse nível de aprendizado serão ensinados apenas fundamentos, trabalho de coordenação, ritmo, latelaridade, organização, noção corporal e espacial e o encantamento pela figura da bailarina. Tudo realizado de forma bem lúdica e de acordo com o desenvolvimento esperado para a faixa etária. Não existe nenhum movimento técnico na posição en dehors. Todos os exercícios e brincadeiras são criados para o desenvolvimento dos fundamentos acima citados. A interação entre os alunos deve ser sempre motivada. A faixa etária vai dos 3, 4 aos 6 anos. A preocupação com a técnica, e o aprofundamento das exigências vai ocorrendo paulatinamente durante os 9 anos de curso nos níveis : pré, básicos  I-II-III , Intermediários I-II-III, e Adiantado I-II sendo trabalhados exercícios que exigem  combinações cada vez mais complexas e artísticas, para depois serem introduzidos para a turma, pequenos trechos de ballets de repertório, adaptados ou não.
Repetindo Nietzche “ A dança sob todas as formas não pode ser excluída do curso de uma educação nobre: dançar com os pés, com as idéias, com as palavras, e, devo também acrescentar, que se deve ser capaz de dançar como uma pluma”. 

PCI: Qual a metodologia de ensino da arte adotada pela associação?

AEM: A Associação desenvolve o trabalho nas áreas de dança tendo como parâmetro os conteúdos específicos por modalidade, respeitando os limites físicos do desenvolvimento infantil nas seguintes etapas: baby class, iniciante, intermediário e avançado, usando metodologia adequada às idades e interesses dos alunos.
No teatro os conteúdos são desenvolvidos conforme o nível de expressão corporal dos alunos visando atingir os objetivos específicos desta modalidade.

PCI: É público que vocês concedem muitas bolsas de estudos para alunos economicamente desprivilegiados. Como é organizado o sistema de bolsas e como um aluno interessado em estudar na associação pode pleitear uma concessão?

AEM: A Associação nasceu com essa filosofia, oferecer oportunidade para que crianças e adolescentes pudessem desenvolver o conhecimento, a técnica e o gosto pela dança e teatro independente de sua situação financeira. Por isso convivem harmoniosamente os alunos pagantes e os bolsistas num clima de cooperação, respeito e amizade, porque sempre acreditamos que a arte favorece o alcance desse objetivo comum.
Ao longo desses 13 anos tivemos períodos de dificuldades financeiras que nos obrigou a reduzir o número de bolsistas, mesmo tendo a colaboração de padrinhos que mantém um número reduzido de alunos. Para manter o sistema de bolsas a Associação realiza festas, Ação entre Amigos, parceria com Associações e Ongs, projetos para ter apoio de empresários, enfim tudo para poder aumentar o orçamento. Este ano como disse anteriormente os professores resolveram aumentar o número de alunos bolsistas, mesmo que não tenham padrinhos, para manter a filosofia da Associação. Foram feitas Audições e estamos com 89 alunos bolsistas em todas modalidades de dança e no teatro, variando as idades entre 04 à 19 anos.
Divulgamos a data da Audição e os interessados se inscreveram para participar da seleção que foi realizada pelos professores da escola e pelo Presidente da Associação, Massayuki Yamamoto que é professor e ator de teatro.

PCI: Qual a participação da associação na vida comunitária de Campos do Jordão?

AEM: O exame do nosso cronograma de atividades do 1º. Semestre demonstra a integração das atividades da Associação com a comunidade de nossa cidade. As apresentações do 1º Semestre são: fevereiro - Expressão em Cena no FEMUCAR (Carnaval); março – Dança  Dia Internacional da Mulher; abril – Mostra de Dança Aniversário da Cidade e participação no desfile da Cidade; Maio – dança e teatro no  Mapa Cultural Paulista; junho – Concurso de Quadrilha e Festa Junina. Julho: participação no festival paralelo de Inverno.
Além da integração com as atividades da Secretaria da Cultura realizamos festas de integração dos nossos alunos que são abertas à população, recebemos convites para participação e apresentação nas escolas públicas ou particulares, Associação Comunitária Cultural de Campos do Jordão, etc.

PCI: A associação pretende ser ampliada, para abranger mais cidades?

AEM: Sem dúvida gostaríamos muito de ampliar nossas atividades e atender pedidos, como por exemplo, da comunidade de Santo Antonio do Pinhal que já solicitou a realização de oficinas de dança e teatro nesta cidade, mas as condições financeiras não permitem essa extensão, pois implicaria em gasto adicional para transporte, lanche etc. Somente com apoio público ou particular poderíamos realizar essa meta.

PCI: Quais as perspectivas atuais que a associação tem para o futuro?
                    
AEM: Atualmente estamos empenhados em conseguir padrinhos para 61 alunos bolsistas, com empresários, poder público, Ongs que se sensibilizem com o nosso projeto e colaborem para a manutenção do sistema de bolsas. Estamos com duas parcerias: AME Campos que apadrinhou 10 alunos da Escola Estadual de Ensino Médio (Prof. Theodoro Corrêa Cintra); Ação Social Ganso que apadrinhou 05 alunos.
Vamos também promover o acompanhamento escolar dos alunos que freqüentam o Ensino Fundamental e Médio para garantir um bom desempenho nas duas escolas, sob pena de perder a bolsa na ocorrência de problemas com a freqüência ou aproveitamento escolar. Para isso já fizemos uma reunião com os responsáveis pelos alunos bolsistas e foi muito bem aceito esse acompanhamento.

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Comentários (2)
ginastica ritmica
2 Seg, 26 de Outubro de 2009 11:35
???
sera que em meio atantos beneficios voces poderiam contyribuir para que eu possa desenvolver um sonho do qual eu tenho que e trabalhar aqui em rondonia com expresao corporal ?
aulas teatrais.
1 Seg, 03 de Agosto de 2009 10:47
???
é maravilhoso

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