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Por Flávio Paiva:
Das formas de violência que têm perturbado a paz no mundo infantil a prática do consumo inconseqüente é uma das mais intensas e danosas. Por ser, a um só tempo, de ordem ética, econômica, política, cultural, social e ambiental, essa espécie de síndrome do ganho com a destruição contribui fortemente para a exaustão dos recursos naturais e das relações sociais.
A antecipação ao consumismo, produzida pela precocidade infantil, e a elevação da expectativa de vida dos seres humanos, passaram a formar uma equação difícil de ser solucionada. Quer dizer: se o consumo exagerado da grande maioria das pessoas passou a começar bem cedo e está durando por muito mais tempo, a sustentabilidade está comprometida.
O comportamento da sociedade brasileira diante dessa situação ainda é muito passivo, embora já existam diversas movimentações que demonstram posturas mais atentas, tais como as que levaram o Ministério da Justiça a estabelecer a Classificação Indicativa para a programação de tevê, e as demandas tratadas pelo Projeto Criança e Consumo, no sentido de suspender peças publicitárias, consideradas abusiva, dirigidas à criança.
Mesmo assim, o número de pessoas que se mobilizam para influir na reversão desse quadro ainda é muito pequeno. Muitas sequer percebem a gravidade do problema e outras tantas até percebem, mas se sentem tão impotentes diante da situação que acabam atrofiando a indignação sob a máscara de vítima. O fato é que, conscientes ou não, todas sentem o problema na sua extensão cotidiana.
Os principais efeitos do consumismo na infância revelam-se na intranqüilidade freqüente e na insatisfação generalizada, resultante da incapacidade das crianças de lidarem com as suas frustrações. Destituídos de seus desejos autênticos, por conta da erotização precoce, da imaginação pré-realizada, da obesidade forçada pelo nerd-sedentarismo e pelas vendas casadas dos fast-foods, meninas e meninos, tornam-se cada vez mais intolerantes e individualistas.
A violência do consumismo na infância tem contribuído para aumentar o estresse familiar e escolar. A sociabilidade é um desafio que passa pela cultura, pela arte, pela contemplação, pelo amor, pela vontade de inventar um outro estilo de vida, onde a natureza mereça respeito, onde o parâmetro humano seja considerado e onde as crianças possam ter o direito de inventar uma experiência para si mesmas, sem o assédio estúpido da pedofilia de mercado.
Flávio Paiva é jornalista, colunista semanal do jornal Diário do Nordeste, autor de vários livros infato-juvenis e é membro do conselho do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana (ong que trata das questões do consumismo na infância) .
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É... se pensarmos que a amamentação é exatamente isto... uma experiência de relação, de troca, de respeito, de saciedade pela qualidade e não pela quantidade, de confiança na próxima refeição sem desperdício.... Isto podeiria servir para apresentarmos um novo paradigma nas gerações que chegam... Sonho? Utopia? Juntos de mais outros vira projeto, ação.
Abraços, Maria Lúcia